// Mundo Gump: As Casas Bahia vão freiar.

06 Outubro 2006

As Casas Bahia vão freiar.

Eu sempre achei intrigante o fenômeno de mercado das Casas Bahia. Um modelo de negócios que estava focado no pobre, no ferrado, no ralado e no durango, como poderia dar tão certo?
O fato é que dava, por alguma razão misteriosa, que começo a atribuir a uma aura mágica daquela figura saltitante do "quer pagar quanto?" e a massividade com que explorava a publicidade em cada respirada de sua audiência.
Não só é intrigante como alguém tem a idéia de ganhar dinheiro com o pobre, mas o fato de que com isso consiga um crescimento equiparável apenas aos tumores malignos daqueles que descobriu hoje, amanhã já tá morto.

Em números isso significa um salto triplo mortal carpado, com direito a sambinha e tudo na chegada - de 3 bilhões de reais para 11,5 bilhões em 5 anos. Isso significa um crescimento de 30% num país que não cresce, e quando cresce, é como a crina de cavalo, tamanha escrotice de carga tributária, leis retardadas e corrupção até na cestinha da igreja.
Ela ia indo bem. Mas...

Foda, né? Já reparou que tudo que vai dando certo no Brasil vem um puto e solta logo um "mas..." ou então como o Caetano manda um "ou não" e aí fode com tudo.

As Casas Bahia estavam bem, na pole position quando sem mais nem menos, os Klein ( os patrões, os donos, os ACM das Casas Bahia) vão meter o pé no freio.
A freiada vai ser daquelas bonitas com cantada de peneu e drift.

Já começou esse ano. Começou quando chutaram a bunda do morango saltitante do comercial.

Mal sinal. Eu quando vejo menos chato na Tv aberta já sei que isso significa alguma coisa. Afinal, o povo não pode se dar bem. Pra sair um chato temm que vir uma contrapartida, e ela veio na forma de notícia de que em 2006 as Casas Bahia não iriam crescer. Cabô o Viagra, galera. Não sobe mais. Aliás, não só não sobe como vai descer.

Ela demitiu 2000 infelizes e fechou 12 lojas. E as estimativas são tão boas quanto as das eleições presidenciais: Eles vão ficar parados por dois anos, sem crescer.
A notícia gerou uma festa que esquentou o Ponto Frio, a segunda colocada no varejão para duros como eu. Os pinguins estão rindo atôa.

Mas isso não afeta só o consumidor que tem menos um lugar para comprar este lindo rack em conjunto com sofá Pérsega de duas cores. As casas Bahia eram um motor de queima de produtos, a parada significa uma parada em varios segmentos industriais, como o dos móveis e eletrodomésticos. Se ela não vai vender, por que comprar? Se não vão comprar, por que fabricar?

E é por isso que o manezinho vai chegar puto em casa porquê foi demitido e vai encher a cara de pinga e no fim da noite, dar um tiro na mulher.
Como um consultor de problemas psicologicos aplicado a negócios, eu sei muito bem que as Casas Bahia cometeram um erro sério ao ir para o sul do país.

Ora o sul é mais rico.
Meu Deus! Que erro Crasso!
Se as casas Bahia ganhassem algum dindim com rico eles seriam as Casas Daslu! Eles tinham que ir pra onde estão os pobres e onde eles estão é no Nordeste.

Aliás, eles tinham que ir logo, enquanto ainda tem pobre lá, já que eles estão migrando em massa para o sul há pelo menos 50 anos.

Uma sucessão de cagadas que envolve não só as decisões estratégicas como também o nome da empresa.
Quem em sã consciência acharia que uma empresa com o nome de Casas Bahia iria funcionar no sul do país?

Logo aonde, no sul?
...O gaúcho -mas não só ele - o sulista em geral, é bairrista pra caralho.
E num lugar onde a classe media e a alta são a maioria, uma loja com comerciais de "quer pagar quanto?" pode funcionar como um: " Entre aqui e assine seu atestado de fudido, seu merda!"

O cara não compra. Ele fica na varanda tomando chimarrão na dele.
Outra coisa, as Casas Bahia resolveram concorrer com o Magazine Luiza. Claro que não ia dar.

É Bahia contra Luíza. Luta desigual. No inconsciente popular isso parece Davi contra Golias, afinal como a Luíza, uma gostosa com peitões e só de calcinha, vai ganhar de um estado inteiro?
Se a imagem da Luíza é a da gostosa, a da bahia no inconsciente popular talvez não seja das melhores. Culpa da midia. O povo percebe inconscientemente o "Casas Bahia" como uma farranchada, uma turba, um bloco de carnaval fedorento cheio de tambores para todos os lados envoltos em dreadlocks e pinturas africanas. E na frente, todo faceiro vai o chato rebolativo.
O povo torce pro mais fraco, claro.

Sem falar no fato de que os caras abrem lojas gigantes nas cidades minúsculas. Isso gera o seguinte: 60% da população trabalha lá. Os outros 30% trabalham na prefeitura e o restante tá tomando chimarrrão na varanda e não tão afim de sair de casa.
As Casas Bahia tem mais gente na parte operacional e logística do que vendendo. Pra vender eles confiam mais num bonequinho 3d com cara de paraíba mongol e dentuço que nem fala, demitiram o vendendor afrescalhado e chato, e acham que só isso vai resolver. Errado. Vai dar M!

É só olhar em volta. Todas as estruturas dos magazines gigantes funcionam com mais gente vendendo do que gente carregando caixa. Pelo menos dois a mais na venda do que na parte operacional.
Se eu fosse um Klein e não um Kling, eu iria voltar minha atenção é para o Sílvio Santos.
Quem entende de pobre no Brasil é ele.
Se ele fez o computador do milhão, vai ter mais gente pobre na internet em breve e as vendas eletrônicas poderão aumentar. As corporaçõesde internet gratis estão pipocando, as companhias telefônicas estão criando planos para acesso da classe mais baixa... Os bancos Cacique da vida estão dando crédito avontê com o aval do Ratinho, sempre de olho nos juros. Isso significa compras pela internet, mais gente no SPC.

Mas as Casas Bahia não tem e-commerce. Burrice. Na internet era mais fácil de conseguir clientes de diferentes classes sociais.

Bom, é isso. Esse era pra ser um post de só três linhas, mas me empolguei. O futuro é nebuloso como convém a essa terra em que vivemos. Mas vocês estão avisados. As Casas Bahia vão feiar seu ciclo de crescimento e isso pode significar duas coisas:
Produtos mais baratos - isso é bom.
A volta do chato para o horário nobre - Prepare seu controle remoto.






3 comentários:

Grande comentário Philipe. Só gostaria de ressaltar uma coisa: "parada significa uma parada em vários segmentos industriais, como o dos móveis e eletrodomésticos. Se ela não vai vender, por que comprar? Se não vão comprar, por que fabricar?".
Ou seja, não são somente os 2000 e tantos funcionários demitidos da loja mas sim outras tantas demissões em setores que fornecem materiais para as casas bahia. Pára a fábrica que fornece o vidro das estantes, pára a fábrica que produz o tecido dos sofás e assim sucessivamente. Se não pára completamente, pelo menos reduz o seu quadro de funcionários gerando uma cadeia de desemprego estrutural.

rapaz, o pobre compra mto justamente pq eh fudido...c ja viu rico mao aberta???Se elas tivessem continuado com o sistema d vendas para pobres e nao tivessem ido atraz do mercado dos otros nao teriam c ferrado...

Marcio Linhares disse...
5:07 PM
 

King Kling,
Fiquei fora do ar uns dias. Volto agora no remotíssimo princípio de outubro... Seguinte: o negócio dos Klein há muito tempo deixou de ser o comercio. Eles mesmo chegaram a dizer num momento de incrível descuido que o negocio deles era JUROS!!! Se fosse possível eles DOARIAM a operacao comercial se fosse permitido a eles manter TOTALMENTE o processo de financiamento pois pobre nao compra "produto", pobre compra "prestação", ou seja: o que ele pode ter por módicas 48 prestaçoes de R$ 19,99? Qualquer coisa que encaixar ai serve e entao estamos falando da "TV 29'", do ärmario 8 portas", do "DVD com Karalhokê", e todas as infinitas combinacões "Bahianas"... Aliás, vc sabia que no auge do sucesso da maior rede de varejo que o Brasil já teve, as antigas "Casas Pernambucanas", suas filiais no Nordeste tinham o sugestivo nome de "Lojas Paulistas"? Poizé... Bem, passado os tempos de chita, tafetá e fustão (te peguei e peguei a turma web-sec-XXI! Ninguem deve saber que isso era tipos de "fazendas". Hahahaha, peguei de novo!) Entramos nos tempos de hoje com a venda pelo you tubo, o nacional que nao vale os 1.65 bi de doletas, mas o do Roberto Marinho, que domina o Lulaworld das 50 pratas/mes... Agora, cumpanneiru, imagina o risco da coisa, em tempos de cdc com prazo de 36 meses para venda de liquidificador... Melhor dar uma paradinha nessa paradona. Vai querer receber quanto???

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